Depoimento de Patricia Schmidt sobre o Encontro das Mulheres Trabalhadoras

O depoimento abaixo foi escrito por Patricia Maria Schmidt, diretora suplente eleita para a próxima gestão do Sindicato dos Trabalhadores de Parobé. Patrícia faz um relato sobre sua percepção no evento promovido na semana do Dia Internacional da Mulher. Através de suas palavras é possível perceber o quanto esse tipo de evento é importante para destacar fatos, números e dados históricos, além disso, ela apresenta muito bem as informações relacionadas à luta das mulheres.

Patricia, ficamos gratos pelo depoimento e até o próximo evento!

 

Vou fazer um brevíssimo resumo do que aconteceu na homenagem ao dia da mulher.

A homenagem de Parobé está na programação do projeto de interiorização da nossa Central Sindical que é a Nova Central Sindical dos Trabalhadores. A Nova Central está fazendo um amplo trabalho para melhor conhecer as entidades sindicais do interior, e aproveita o dia da mulher para fazer o contato aqui e assim trás muitas oportunidades para troca de conhecimentos.

O primeiro palestrante foi José Reginaldo Inácio, ótimo orador que nos trouxe a reflexão do nosso papel como base trabalhadora.

Falou da grande desunião da classe trabalhadora que a cada ano que passa criam novos sindicatos pulverizando sua força, ao contrário dos empresários que estão cada vez mais unidos e organizados. Falou sobre crise política, econômica e ética, chamando a atenção para o fato de que o responsável não é fulano ou beltrano, que nossos problemas não são de agora, então algo muito maior precisa ser feito. Devemos pensar se realmente quem rouba mas faz merece nosso crédito.

Na Câmara dos deputados temos apenas 51 deputados representantes de sindicatos, teoricamente “representantes” da classe trabalhadora contra 217 representantes de empresários. Não precisamos falar muito mais para ver que a desvantagem é enorme.

O Segundo palestrante foi João Trevisan, falou principalmente para dirigentes sindicais, mostrando a importância do trabalho nas bases. Temos que ter bases sólidas. Salientou que o trabalho não é uma mercadoria. A pobreza, onde quer que exista, constitui um perigo para a prosperidade de todos, por isso a base tem que ser forte. A importância da liberdade de expressão e de associação é uma condição indispensável para um  progresso constante.

Observou que estamos em uma fase muito longa pois desde 1989 após as grandes greves muito pouco se evoluiu no âmbito de lutar por causas trabalhistas e a passividade tomou conta.

O dirigente sindical precisa se capacitar, se antecipar, construir as perguntas, para que possamos evoluir.

Almoço, delicioso carreteiro.

Terceira participação foi da Dr. Tiane, advogada que nos falou brevemente sobre algumas mudanças nas leis de pensão por morte e aposentadoria.

Quarta e última palestra foi da Sônia presidente da CNTI ( Confederação nacional dos trabalhadores da Industria), que nos trouxe algumas informações sobre as mulheres no cenário político.

Colocou números para demonstrar que as mulheres ainda tem muito para caminhar até chegar em igualdade com os homens:

São 666 prefeitas, 4.941 prefeitos, 7.630 vereadoras e 49.632 vereadores, precisamos de mais mulheres mas não de qualquer mulher. Enquanto somos a maioria da população, mais escolarizadas, ainda sofremos com o machismo enrustido, que a cada dia que passa querem tirar nossos direitos, precisamos nos valorizar como força de trabalho e cérebro pensante pois arrimos de muitas famílias já somos.

Termino com uma citação de Cora Coralina:

“Eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou. Ensinou amar a vida e não desistir de lutar, recomeçar na derrota renunciar a palavras e pensamentos negativos. Acreditar nos valore humanos e ser otimista.”

Cora Coralina

Obrigada pela atenção e fica o convite para o próximo ano.

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