A evolução da indústria de calçados no Brasil e no RS

O sapateiro é considerado um artesão e sua presença na história é muito antiga. Logo no surgimento dessa profissão, o indivíduo via sua atividade ser bastante discriminada, mas, atualmente, é possível demonstrar a importância de um bom sapateiro.

O profissional tem como função manusear calçados diversos, fabricando-os ou também consertando-os. É óbvio afirmar que a necessidade de usar um calçado de qualidade tem como objetivo proteger os pés de obstáculos no solo, do frio e de outros problemas.

No mundo atual, os sapateiros tiveram seus lugares tomados pelas indústrias de produções em massa, o que faz com que a profissão de sapateiro seja mais comumente associada ao conserto de sapatos.

 

A evolução da indústria de calçados no Brasil e no RS

De  acordo com Scheffel (1993), no início do século XIX as regiões devastadas pelos constantes ataques das guerrilhas napoleônicas geravam conflitos sociais e causavam crises de desemprego na Alemanha. O autor afirma que os solos empobrecidos do país, motivos religiosos e alterações econômicas, ocasionadas pelo advento da era industrial, foram algumas causas que provocaram a imigração dos alemães para o Brasil. Nessa época, os imigrantes se interessavam por zonas que apresentassem características físicas de sua terra de origem. Scheffel (1993) comenta que a região sul do Brasil era um local que possuía tais características. O Governo do Rio Grande do Sul, por sua vez, pretendia ocupar o solo gaúcho com estrangeiros. Segundo ele, os motivos da imigração foram: “a necessidade do Brasil de ocupação definitiva de seu território; a vastidão de terras desertas; a utilização do trabalho livre e não escravagista […]”. (SCHEFFEL, 1993, p. 22).

O autor destaca que os imigrantes alemães estavam habituados a usarem calçados em virtude do frio de seu país de origem, todavia, no Brasil os calçados eram usados apenas para proteção à picada de insetos. Os calçados trazidos por eles gastaram-se e foi assim que surgiu a indústria, inicialmente de forma artesanal. “O seu início foi artesanal, não havia máquinas que pudessem tornar mais fácil a confecção dos calçados. O material usado eram os retalhos que sobravam da fabricação dos arreios, e o calçado era feito sob medida e sob encomenda […]”.(SCHEFFEL, 1993, p. 24).

O autor Corrêa (2001), destaca que no Brasil o setor calçadista iniciou suas atividades no século XIX no Estado do Rio Grande do Sul, com o surgimento de curtumes implantados pelos imigrantes alemães e italianos. De acordo com o autor, com os avanços tecnológicos oriundos da Europa no final do século XIX, o sistema artesanal de produção passou a ser uma atividade fabril. Conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, a Abicalçados (2015), no ano de 1888, surgiu, no Vale dos Sinos, Estado do Rio Grande do Sul, a primeira fábrica de calçados do Brasil, formada pelo filho de imigrantes Pedro 12 Adams Filho, que, por sua vez, também possuía um curtume e uma fábrica de arreios. A partir daí, o Rio Grande do Sul aumentava a demanda por calçados, o que permitiu a expansão da produção a cada ano, tornando o Estado reconhecido mundialmente no setor ao longo do tempo. Ainda conforme a Abicalçados (2015), a necessidade de ampliar a comercialização de calçados para o exterior surgiu no início da década de 60. A primeira exportação brasileira em larga escala ocorreu em 1968, com o embarque das sandálias Franciscano, da empresa Strassburguer, encomenda entregue nos Estados Unidos. Já a produção nacional, na mesma década, era de 80 milhões de pares anuais. Novos mercados começaram a surgir a partir de então. Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES (2006, p. 1), a indústria calçadista passou por transformações significativas em seu padrão de concorrência. De acordo o informe setorial da área industrial publicado em julho de 2006, nas últimas décadas, registrou-se aumento da importância da qualidade, do design e dos prazos de entrega como fatores determinantes para a competitividade no setor. Além disso, o informe destaca que o calçado é um produto que depende das variações de moda, portanto, a diferenciação do produto e a capacidade das indústrias captarem os sinais de mercado também são atributos da competitividade. Conforme o BNDES (2006, p.1) o setor calçadista se moderniza por etapas, devido à característica descontínua do processo de produção. O costura e a montagem dos calçados de couro ainda são bastante artesanais, por este motivo, demandam bastante mão de obra, limitando assim, o processo de automação. Por outro lado, isso facilita a entrada de microempresas. Os autores Forte, Moreira e Moura (2010), corroboram que no ano de 2004 o setor calçadista foi o terceiro principal item da balança comercial no país, com faturamento de US$1,5 bilhão em exportações, com mais de 6 mil fabricantes, localizados em diversos estados. Conforme os autores os principais pólos de produção são os estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Ceará. Os autores afirmam que desde 2005 as empresas do setor que dependem das exportações têm enfrentado dificuldades devido à valorização do dólar e inserção de 13 produtos chineses no mercado internacional. Os autores acrescentam que “o crescimento das exportações dos calçados da China para vários países compradores do calçado brasileiro reduziu as exportações brasileiras, já que o preço dos calçados chineses são muito competitivos […]”. (FORTE, MOREIRA; MOURA, 2010, p. 167). Para reagir à crise os autores comentam que as empresas estão priorizando outros recursos como qualidade dos produtos e investimento no relacionamento com os clientes, mas antes de chegar neste assunto, o trabalho apresenta a seguir o histórico das empresas de calçados Bottero e Via Marte, e também sobre como funciona o processo de produção de ambas as empresas.

O conteúdo acima foi gentilmente cedido por Ana Elisa Pires.

Referência bibliográfica: PIRES, Ana Elisa Pereira. Mídias Sociais em Indústrias de Calçados: Mapeamento da utilização das mídias sociais das empresas Bottero e Via Marte. 2015. Pós-Graduação em Gestão do Relacionamento com o Cliente, Centro Universitário Senac, São Paulo.

Créditos da imagem: “O Sapateiro” – Ferdinand Hodler
Pintor suíço (1853-1918)

 

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